agosto 14, 2009

O gato e o morcego

Ambos eram sombras das sobras da noite. Negros.
No escuro, só o que rompe o silêncio familiar é que arrepia a pele.
É o que faz abrir os olhos e tentar enxergar além do que a luz alcança. O gato preto sempre se esquiva dos desconhecidos, no entanto, vira e mexe traz convidados para o jantar. Dependendo da hora, pro café da manhã. “Pobres pássaros!”, você pensa, só que dessa vez era um morcego.
Batman e Mulher-Gato têm um apelo muito mais sexy do que um felino com bigodes de asas de morcego. Você tenta salvar o pobre deixando toda sua repulsa sem precedentes, aquela que você já nasceu com e não tem a menor vontade de ir ao cerne para entender o motivo, é apenas cultural. Mas o morcego já não voa mais e o gato parece estar faminto. Fome por satisfação.
Cães perseguem gatos que perseguem ratos, pássaros, morcegos... Não chega a ser cadeia alimentar, está mais para cadeia de poder. Como os gatos gostariam de voar ou entrar nos cantos que seus bigodes esbarram! Como os cães gostariam de subir em telhados, árvores e janelas! A cobiça existe, e ninguém nunca está satisfeito com o que tem.

Um comentário:

Marcel... disse...

Putz... que baita analogia!... Palavras me escapam, temerosas, por não saber ao certo como usá-las pra expressar minha admiração...

Parabéns! Pretendo ler tudo que tem neste caderno, caso me permita, é claro...