janeiro 16, 2008

entre árvores sem nomes vulgares

A singularidade de uma habitação marginal equivale-se à composição química da água em estado de fusão. Em sua pluralidade, é necessário que haja mais de uma habitação para que essa possa existir de fato, logo, habitações marginais; Várias habitações marginais em conjunto e várias moléculas de água interligadas por seu estado representam um bloco quase que maciço, que no caso da água, um iceberg, e das habitações, favela.
O iceberg é tanto um bloco marginal originário de uma parte maior e “fixa” quanto a favela é da Sociedade.
A geleira é uma área extensa de gelo, e o pedaço de gelo que se desprende de seu todo, o iceberg, só se personifica devido ao movimento lento em que a mesma se locomove, em razão da gravidade e relevo causando erosões. Esta fragmentação de seu todo em blocos marginais seguem para meios de pouca intervenção. A sociedade é a área extensa e a favela seu iceberg. Os blocos se marginalizam da sociedade de forma indireta, seja por exigências morais, seja por hierarquias econômicas.
A favela forma-se na velocidade que os icebergs se locomovem depois que se desprendem da geleira. É apenas notada quando seu crescimento atinge as margens ainda imaculadas, pois até então, sua evolução se dá de forma restrita a fim de preservar os pioneiros do movimento, os singulares. O mesmo ocorre com o iceberg. Sua área emergida representa apenas 10% de seu total, esse percentual significa dizer que representa apenas a capa do livro e não o livro inteiro e muito menos um indício de início.
A casinha na beira da área não habitada anteriormente é apenas a borda de uma área submersa entre árvores sem nomes vulgares, a ponta do iceberg, a favela.

Nenhum comentário: