agosto 09, 2011

De Segunda

Descobri como se apaga o tempo que sobrevive do risco que mora nas suas entranhas.
Uso do vento, o vôo que se equilibra pela libra da dualidade que me gira em roleta russa.
Transcrevo dias ensolarados em papéis de tardes de chuva que passam rente a sua distância vingativa. Deito sobre a folha expressões de pierrô e lanço num esforço inútil uma reza para que Deus tenha piedade.

agosto 02, 2011

banho-maria

Quero chamar de apelo esses tantos pelos que usa para me prender. Não são de nós embolados, nem de fios de cabelo, de que falo ou faço retrato tramado de bem querer. São caminhos pelos quais me saliva a boca e me tremem as pernas que escapam de ti.

Quero saber que epitáfio me aguarda quando tomo desse veneno pingado a conta-gotas, fingindo ser choro da lua. Lua cheia do fulgor das memórias e das palavras jogadas ao vento que nos leva pra longe um do outro, ou para essa loucura que é a nossa de fugir da realidade dos outros que nos teme no impulso.

Quero que entenda o meu ódio como aforismo irônico, e que ele te morda mais que o silêncio que ofereço nu e sem tempero. Soprar não apaga brasas, na verdade elas consomem cada suspiro secreto que tenta te apagar em banho frio.