Sou Maria e estou indo com as outras. Ainda não sei aonde, mas devo admitir que é muito melhor do que ir sozinha. Corro menos risco de pisar em falso. Se eu tropeçar na mesma pedra do que elas, riremos todas juntas da pedra, mas se eu estiver sozinha, rirão de mim. Não quero ser a única ridícula. Quero me encaixar, quero concordar e copiar tudo que elas fazem ou imagino que possam fazer, assim não serei diferente.
“A Fulana nesse momento diria Isso, então vou tomar atitude e dizer Isso primeiro, porque aí, eu serei importante, serei a copiada e não a copiadora, ou seja, diferente. É, eu quero ser diferente! Então vou logo dizer Isso e Aquilo também. Pra todas elas virem como eu sou diferente e não gosto de copiar. Sou original e criativa. Vou comprar Essa e Aquela antes de todo mundo. Porque o Meu tem que ser melhor de todos, porque o Meu tem que ser o mais bonito, porque o meu tem que ser o mais caro, porque o meu tem que ser o mais novo. Quero todos os elogios por ser tão especial, tão precoce. Se bem que a Sicrana não gosta desse tipo de coisa, ela não precisa disso. Mas todo mundo copia ela e Beltrana se amarra e com certeza morrerá de inveja.”
O meu medo é que uma delas chegue primeiro e roube meu holofote. E será que elas vão gostar? Quem inventou Isso e quem mandou eu comprar Esta? Acho que eu preciso começar a revirar as coisas delas sem que percebam, pra saber o que eu devo seguir. Eu não quero ir sozinha. Tenho muito medo pra ter personalidade. E se me aceitarem...