dezembro 25, 2008

Alameda do Purgatório

A saltitante assaltante das vibrações distraídas de caveiras comedidas percorria a alameda. Uma inocente perita, leve, alegre como sanha de liberdade magra que de estorvos só o cansaço lhe sobrava, graça do passo doada por qualquer descaso. Corriam as árvores de poucos sinônimos servindo-lhe o infinito a sua espera, enquanto por flores e seus sabores morriam frutos podres. Corada, acordara com seu pulso nunca deixar-lhe hibernar como ursos.
No futuro destino profetizado, talvez um pretérito perfeito, um tom da omissão de luz penetrou em seus olhos e lhe tirou o foco, turva visão arriscou lhe pregar peças: o caminho se estreitara, as raízes davam-lhe rasteiras e os galhos tentavam acordá-la com tapas na cara. Persistente, prosseguia esquivando-se das advertências, imediatamente cega. O trecho mais seguro, certamente, era o mais escuro, o mais perigoso. Ficar debaixo do holofote, por menos iluminado que ele parecesse, era abusar de ser alvo dos vampiros à espreita. Repare bem, não disse morcegos.
De sorte só a velhice. Agarrava-lhe os calcanhares mais e mais na medida em que a doce meliante afastava de seu propósito, e o peso de sua nova guia sugava, numa progressão geométrica, toda sua juventude, o viço de seus vícios, os vícios de seu viço.
Num último suspiro, rastejava com a esperança ralada pelo chão já estéril donde costumara pisar, dos saltos só os guardados de cor, seu infinito teve seu fim quando suas pálpebras, finalmente enfadadas, disseram-lhe sim. O aguardado de todo seu interim.